Blog do Compras Paraguai

Meu primeiro iPhone: O sonho paraguaio que virou dramalhão mexicano

Ter um iPhone é o sonho de consumo de muitos brasileiros.

Muitos brasileiros que, inclusive, economizam durante o ano inteiro todos os centavos extras para conseguir juntar dinheiro para comprar um celular novo e, dentre muitas pesquisas, descobrem que no Paraguai o iPhone sai muito mais em conta que no Brasil.

Conclusão: planejam a viagem e seguem além da fronteira para realizar, de forma mais econômica, seus desejos.

Mas, imagina chegar no Paraguai e as compras não saírem como o planejado.

Esta é a estória* de Luiz Mota, um trabalhador brasileiro que sonhava em comprar no Paraguai seu primeiro iPhone…

 

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Era março. O calor do Paraná as vezes me faz esquecer que moro no sul do Brasil. Fui conferir minha poupança no banco e, quando o saldo apareceu, definitivamente me fez lembrar que todos os meses de economia do salário valeram a pena. Os números brilharam na tela do autoatendimento.

Enquanto 90% dos adultos consultam suas contas bancárias na tela do smartphone eu, um assalariado, não tenho um telefone digno de impressionar o sexo oposto.

Minha meta era uma só: agora eu teria meu sonhado iPhone.

Nos últimos 8 meses deixei muitas vezes de sair com os amigos, praticamente abandonei o cash game no Poker, não fui comer o cachorro quente da esquina (esse cachorro quente mereceria estar no livro de receitas da Ana Maria Braga, é sério!). Além disso, diminui o gasto de gasolina na minha moto e reduzi pela metade minha conta com telefone. Estava extremamente orgulhoso porque, pela primeira vez na vida, eu consegui guardar dinheiro para comprar algo importante pra mim: meu primeiro iPhone.

Há de se concordar que ter dinheiro deixa você diferente. Não fiquei triste nenhum minuto naquele dia.

Quando eu estava caminhando na rua, voltando do trabalho, meu subconsciente disse: “Luiz Mota, o senhor possui R$2.600 em conta. Seu iPhone agora é uma realidade breve” (meu subconsciente é tão estranho que disse isso com aquela voz do Google!).

Pesquisando preços de iPhone

Para comprar um celular novo fiz pesquisas em vários sites.

No Paraguai o iPhone 7 de 32 gb de memória estava custando entre US$705 a US$805.

Segundo meus cálculos, convertendo em reais esse aparelho me custaria cerca de R$2.400 a R$2.500.

Eu esperei pra ter esse celular por muito tempo. Pensei em comprar o iPhone 7 aqui no Brasil. Em sites de busca ele chega a aparecer por R$ 2.999, mas na loja aqui da minha cidade o preço chega a R$ 3.299. Isso é muito além do que posso pagar. Por isso, o Paraguai será meu destino.

Viajando para o Paraguai em busca do iPhone

Arrumei uma carona com um conhecido que estava indo para Ciudad del Este fazer compras. Achei um super investimento pagar somente R$30 de combustível dividido por todos que estavam no carro (sem falar que ainda sobraria uma verba para gastar no cachorro quente da esquina!).

Da minha cidade até o Paraguai são 1h30min de carro. Fomos em 4 adultos no carro. Eu, com meus 23 anos bem vividos, era o mais jovem de todos.

Saímos no clarear do dia e, quando menos espero, a Ponte da Amizade, que divide o Brasil do Paraguai, já estava sorrindo pra mim. Confesso que achei que atravessar a Ponte da Amizade, de carro, fosse mais difícil ou demorado.

Era a primeira vez que eu pisava em Ciudad del Este, um dos maiores mercados de vendas da América.

O motorista estacionou o Fiat Uno dele em um estacionamento pago. O valor era R$10 para estacionar, com cobertura contra o sol.

Descemos do carro e o mais velho dos conterrâneos disse: “agora cada um se vira, comprem o que quiserem e em 2h nos encontraremos aqui no estacionamento. Não esqueçam da cota e cuidado com o golpe”.

Nos separamos.

Tive vergonha de dizer pra eles que nunca tinha estado no Paraguai (homens costumam fazer chacota por qualquer coisa e minha mente estava apenas focada no iPhone 7).

O momento do golpe

Atravesso duas ruas na área central de Ciudad del Este. O movimento é intenso. Várias pessoas indo e vindo carregadas de mercadoria sob um sol de rachar.

Mais uma centena de passos e sinto alguém me encostando no ombro. Com um sotaque espanhol um rapaz, um pouco mais velho que eu, solta a famosa frase: “diga-me o que procuras rapaz. Estou aqui pra lhe ajudar!”

Não quis responder, mas quando percebi já tinha dito “iPhone 7”.

Ele então, me pega pelo braço e responde “fique tranquilo, vou te levar na melhor loja do Paraguai para comprar seu telefone. Meu nome é Miguel”.

Nas pesquisas feitas, tinha visto que a compra mais segura no Paraguai sempre é nas grandes lojas, dentro dos shoppings. Mas, Miguel me levou para uma loja um pouco afastada do movimento.

Era um lugar modesto, numa esquina perto das barracas de rua. O movimento ali também era grande e a maioria das pessoas arranhava um portunhol bem mequetrefe.

Chegamos na loja. Miguel me cobra R$10 pela informação e acabo pagando para não ter problemas.

Um vendedor, com crachá escrito Pablo me atende. Muito gentil, o vendedor me questiona: “O que necessitas, amigo?”.

Falei pra ele com voz confiante: “Vim comprar meu iPhone 7. Me falaram que esta loja é a melhor do Paraguai, inclusive com o preço mais baixo” (de bobo não tenho nada, na largada o vendedor tinha que sentir que eu queria preço mais baixo do que o anunciado na internet).

Pablo sorri e concorda comigo. Ele pede pra eu aguardar no balcão indicando que pegaria no seu estoque o melhor telefone. Ele deve ter demorado uns 2 ou 3 minutos. Essa espera me pareceu uma eternidade.

Olho para o lado e, quando percebo, Pablo está com um iPhone 7, lindo, de cor preta, 32gb, bem na minha frente. Ele abre, mostra os acessórios. O telefone estava impecável.

Pablo, percebendo minha empolgação pede pra eu segurar o aparelho (eu tentava me manter indiferente, mas era impossível).

Quando peguei o telefone na mão, chegou na loja um homem. Pouco menos de 40 anos de idade. Pablo o cumprimentou e o senhor se aproximou de mim.

Vendo que eu estava com o celular em mãos se apresentou dizendo: “Bom dia! Também comprei meu iPhone 7 nessa loja. Você pode comprar aqui que não tem erro” (neste instante ele tirou do bolso um iPhone branco, bem bonito).

Eu não quis puxar conversa. Agradeci a indicação e chamei o Pablo para perto. Disse a ele que tinha gostado do aparelho e pedi quanto custaria. Ele pegou a calculadora e me disse: “custa R$1.800 (mil e oitocentos reais)”.

Eu não tinha entendido, ou entendi mal, e pedi pra ele falar o preço de novo. Pablo sorri e fala: “R$ 1.800 meu rapaz. Você falou que queria o melhor preço do Paraguai e aqui está ele. Não vai encontrar em nenhum outro lugar um telefone bom como este e por esse preço”.

Ouvindo novamente a fala do vendedor quase o abracei de alegria.

O meu sonhado iPhone custaria quase metade do preço cobrado no Brasil e muito menos dos R$ 2.400 que eu sonhava em pagar. Tentei controlar minha empolgação e pedi pra ele: “é original né?”. Ele rapidamente fez que sim com a cabeça.

Imediatamente falei que ficaria com o iPhone 7 e gostaria de pagar a vista pelo produto.

Encaminhei-me para o caixa de pagamento e ele falou que iria colocar o aparelho na caixa da Apple.

Contei as notas de R$ 100 que tinha separado e não me contive. A alegria de ter meu primeiro iPhone era imensurável.

Peguei o telefone que estava dentro da caixa e, com passadas largas, me dirigi para o estacionamento onde tínhamos marcado de nos encontrar.

Comprei um iPhone falsificado, e agora?

Cheguei antes que os outros do grupo e logo abri a caixa da Apple.

Quando retirei o lacre, algo parecia estar errado. Aquele lindo telefone mostrado na loja tinha perdido o encantamento. Parecia ser velho e falsificado. Coloquei o aparelho na luz e vi que o iPhone já tinha vários riscos, inclusive na tela.

Minhas pernas tremeram, meu estômago embrulhou. Sentei no capô do carro e tentei raciocinar. Era impossível… Será que fui enganado? Paguei muito barato pelo iPhone e me dei mal?

A primeira atitude seria ir até a loja de volta.

De tão nervoso que fiquei, não conseguia lembrar a localização exata da loja. Pensei, respirei e decidi esperar pelo resto do pessoal.

Foram intermináveis 30 minutos até que eles retornassem, felizes e cheios de mercadorias. Vendo meu abatimento, o dono do carro que nos levou ao Paraguai perguntou-me: “que cara é essa Luiz?”.

Contei toda história para eles, detalhe por detalhe. Ao final, foram unânimes ao afirmar que eu fui enganado facilmente.

Tentamos, sem sucesso achar o rapaz que me levou até a loja. Alguns minutos de caminhada achamos a loja, que já estava fechada. Bati, pedi pelo vendedor, de nome Pablo. Ninguém das imediações fez questão de dar atenção.

A orientação, segundo meus conhecidos, é que nestes casos deve procurar a Polícia Turística. Fomos até o prédio da Polícia e contei toda história, descrevendo o rosto de cada um dos envolvidos na minha dramática história.

Ao final, passadas duas horas dentro da polícia, saímos em direção ao estacionamento. Eu estava desolado.

Os policiais paraguaios fizeram algumas anotações, me deram orientações e se comprometeram em localizar o suspeito e fechar a loja.

Um dos policiais paraguaios, mais velho, disse que eu caí num golpe muito comum. Ele inclusive afirmou que o segundo homem que esteve na loja, quando eu estava com o telefone na mão, provavelmente estava junto com o vendedor que me enganou. “Eles combinam as falas para te impressionar e garantir que você compre. Infelizmente, se você comprar em lugares suspeitos, a chance de ser enganado é grande”, me disse o policial com sotaque espanhol.

O policial paraguaio ainda me questionou porque não fui no balcão de testes. Esta é uma medida adotada pelas empresas sérias no Paraguai. Eles testam os aparelhos na frente do cliente, garantindo que a compra não seja uma ilusão.

De tão empolgado que estava, nem vi se a loja tinha balcão de testes.

Mais alguns minutos e saio da Polícia Turística.

Entramos no Fiat Uno. O dia se foi e eu saio p… da vida. Justo na primeira vez que vou ao Paraguai sou enganado! Tem alguma explicação? Será que tem como resgatar meu dinheiro? 

A lição desta situação triste é que fiquei sem meu telefone que era o sonho de praticamente todo esse ano. Agora tenho um iPhone pirata, todo riscado e quem nem ligar ele liga. É uma imitação barata e sem nenhuma utilidade. Não tem mais nada pra fazer.

Ainda descobri que não é só com falsificados que estas lojas enganam os clientes. Elas também vendem aparelhos com defeito, colocam na embalagem outro produto e não o que a pessoa comprou ou mesmo vendem produtos recondicionados pelo preço de novo.

Tem que ficar muito esperto!

O que aprendi com esta lição?

  • Pesquisar os preços e lojas de confiança antes de viajar
  • Não acreditar nas logos e informações de cartões e panfletos entregues nas ruas. Qualquer um pode colocar o que quiser, que é autorizada Apple, colocar logo de marcas, lojas ou sites de renome, se passando por eles.
  • Comprar em lojas sérias e que ofereçam garantia
  • Buscar por lojas autorizadas da Apple
  • Não dar ouvidos aos vendedores de rua
  • Ficar atento a preços muito abaixo da média
  • Abrir a embalagem e testar o produto antes de sair da loja
*estória fictícia criada para alertar as pessoas sobre acontecimentos reais.

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  • jose

    cabaço

  • Pedro Ferreira

    cabaço.

  • jople

    Não dar ouvidos aos vendedores de rua

  • Andre

    quer comprar barato ? iphone por 2400 logo o 7 ? isso não existe nem no Brasil quando mais por 1800 no paraguay, eu indico a loja do Grupo R.I http://www.rodrigoimports.com.br/nova
    esses caras vendem de tudo, agora não espere achar barato pois iphone e caro que so, eu dou mais valor a Samsung

  • Patricia Sales

    meu deus que triste esta historia, não posso imaginar como voce deve ter ficado chateado e enfurecido, fora a sensação de impotencia diante da situação. sinto muito e obrigada por compartilhar sua experiencia

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